quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Movimentos estudantis

28 de setembro de 2010 | 0h 00  - O Estado de S.Paulo
O movimento estudantil no Brasil tem hoje causas tão distintas como a disputa por recursos do pré-sal, a inclusão social e a redução da tarifa de ônibus. Melhor, então, falar no plural, de movimentos estudantis. Apesar da partidarização excessiva e das contestações à liderança da União Nacional dos Estudantes, há coisas novas no front. As cotas, por exemplo, levaram à universidade um público que se mobiliza por medidas práticas, não slogans distantes. Mesmo a militância tradicional modificou seu modelo de atuação, com as redes sociais.
"Eles utilizam intensivamente as novas tecnologias de informação e comunicação, que também funcionam como instrumentos de participação, mobilização e criação de identidade", diz o pesquisador Breno Bringel, do Grupo de Estudos Contemporâneos da América Latina da Universidade Complutense de Madri. Para ele, a nova militância pode ser chamada de "geração Fórum Social Mundial" - jovens que acreditam num outro mundo possível, embora não saibam ao certo como chegar lá. "Talvez essa seja sua maior riqueza, ter diálogos diferentes da esquerda."
O atual presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, Marcelo Chilvarquer, acha que o movimento estudantil ainda é um espaço privilegiado de discussão. "Apatia é o que não tem aqui. Temos amor ao debate. É o preço da democracia." Seu opositor nas Arcadas, Francisco Brito Cruz, da chapa Fórum de Esquerda, concorda. "É muito emocionante defender uma ideia na qual você acredita."
A USP, aliás, é um bom espelho da fragmentação do movimento. Além da chapa que comanda o Diretório Central dos Estudantes, há dezenas de correntes atuantes, como o Movimento Negação da Negação, Grupo de Mulheres Pão e Rosas, Movimento A Plenos Pulmões e Liberdade USP. Eles defendem direitos das mulheres, homossexuais e negros, um mundo mais "igualitário" e causas específicas, como a ampliação das linhas de ônibus na Cidade Universitária.
Para o doutorando em Literatura Brasileira Dário Neto, de 33 anos, o espaço da militância se tornou mais plural. Engajado, ele já participou de greves na USP, mas se sentia discriminado por ser homossexual. "Aconteciam manifestações homofóbicas, piadas. Não há como lutar pela articulação do estudante se isso não leva em conta toda a sua diversidade." Ele incentivou a criação do Prisma, grupo de discussão sobre gênero ligado ao diretório.
Como Dário, membros de cada corrente tentam convencer colegas da urgência de sua causa. "É difícil envolver e organizar. Ainda há preconceito de que política é para políticos profissionais. Queremos quebrar essa visão", diz Natalie Drummond, filiada ao PSOL e integrante da chapa Para Transformar o Tédio em Melodia, que controla o DCE.
Adversário de Natalie nas últimas eleições para o diretório, o aluno de História Rodrigo Souza Neves, de 23, da Liberdade USP (antiga chapa Reconquista), vê excesso de influência partidária no DCE. "Somos a favor da democracia representativa, eles defendem o socialismo e não toleram divergências. Nós nos preocupamos com questões internas, como linhas de ônibus no câmpus. E eles, com a reforma agrária."
Mudança no Sul. Privilegiar temas do interesse direto de estudantes é uma bandeira que tem sido levantada em outros Estados também. Em novembro, após 40 anos de domínio da esquerda, uma chapa apartidária venceu a eleição para o DCE da Federal do Rio Grande do Sul, universidade onde estudou a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Seu presidente, o aluno de Administração Renan Pretto, de 20, defendeu na campanha mais segurança no câmpus, item irrelevante na agenda da militância mais revolucionária. Para alguns universitários, a eleição no DCE representou uma "invasão da direita" na UFRGS. "Os outros grupos estão mais preocupados com questões externas, ligadas ao Irã e ao Iraque, por exemplo", rebate Pretto.
Na Federal de Minas, o DCE tem, pela primeira vez, perfil suprapartidário - a maioria é de esquerda, mas também há um representante do PSDB. "Nosso objetivo é fazer uma gestão voltada para a universidade, que garanta o funcionamento do DCE, e não o seu aparelhamento", diz o estudante de Engenharia Pedro Coelho Silva, de 20 anos, coordenador-geral do diretório. Filiado ao PT, ele tem um discurso pragmático. "Nossa gestão costuma ser criticada pela relação saudável com a reitoria, mas a gente não concorda com a prática de brigar, confrontar, ocupar. Essa forma de diálogo tem dado mais resultado que os outros métodos."
O DCE participou das discussões que levaram a UFMG a adotar, em maio, o Enem como primeira fase do vestibular 2011. "Era algo que vinha sendo adiado pela reitoria."
A aluna do 4º ano de História da PUC-SP Dayana Biral, de 24, também acha possível conciliar correntes diferentes, desde que os centros acadêmicos sejam autônomos. "Mas os estudantes podem ser filiados a partidos", diz Dayana, que milita no PSTU desde os 14 anos.
Para o professor de Ética e Política da Unicamp, Roberto Romano, porém, os partidos transformaram o movimento estudantil em "correia de transmissão" de palavras de ordem. "É muito difícil fazer paralelos com o movimento do passado", diz Romano, sobre a comparação com a militância contra o regime militar.
"O movimento estudantil hoje não exerce função universitária de pensar, discutir com profundidade e ir à população. Transforma tudo em slogan. Os partidos controlam, mandam, decidem", afirma. "Hoje o movimento é um imenso curral eleitoral para jovens políticos que querem chegar ao poder. Não há nada que os ligue aos símbolos da resistência à ditadura ou a movimentos de ética na política, como na mobilização contra o Collor."
"Chapa-branca". Parte da confusão sobre os rumos do movimento estudantil é atribuída à UNE pelo pesquisador Otávio Luiz Machado, do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia da Federal de Pernambuco. Como a maioria de seus membros é filiada ao PCdoB, que apoia o governo federal, a entidade tem sua representatividade questionada desde a eleição de Lula, em 2002. "Hoje a UNE é chapa-branca, vejo um bom-mocismo financiado por recursos públicos."
O presidente da UNE, Augusto Chagas, se defende. Ele afirma que hoje 92% dos DCEs mandam delegações para os congressos anuais da entidade. "A UNE está mais plural do que nunca", diz. Integrante do DCE da Uninove, Clairton Ferreira é bem menos entusiasmado com a entidade. "O modelo da UNE é um mal necessário."
A mais emblemática luta encampada pela UNE no último ano é brigar para que a educação receba 50% da renda do pré-sal. Mas ela também abraçou causas práticas, como a ampliação das moradias estudantis. A pressão para isso vem das "bases", de gente como o presidente do DCE da UFPE, Daniel Pires, que luta para reabrir o restaurante universitário e torná-lo gratuito. Acha que, com bandeiras como essa, vai superar a apatia no câmpus. "Esperamos que os alunos comecem a ser atraídos para participar."
A última grande mobilização estudantil depois do "fora Collor" teve origem numa reivindicação de ordem prática. Em Florianópolis, por dois anos seguidos, 2004 e 2005, os estudantes fecharam os acessos à cidade para protestar contra a tarifa de ônibus, na "Revolta das Catracas". O secretário geral do DCE da Federal de Santa Catarina, Marino Mondek, diz que as manifestações podem ser retomadas, porque em setembro os vereadores aprovaram licitação que permite às empresas operarem ônibus pelo longuíssimo prazo de 35 anos, renováveis por mais 35. "A ideia é fazer um abaixo-assinado. Mas se tivermos que ocupar espaços, não recuaremos."

Cotistas. Bandeiras como a dos estudantes catarinenses tendem a ganhar força com a presença crescente da classe C nas universidades, via sistemas de cotas ou programas como o Prouni. Entra o "Ônibus Barato Já", sai o "Ianques, fora do Iraque". "Hoje, o movimento estudantil é propositivo", diz Fernando Maltez, diretor do DCE da Federal da Bahia. "A gente luta pela ampliação do número de vagas, pelo aumento da assistência estudantil, contra a falta de professores."
"Há uma série de ações que precisam ser melhoradas", diz a aluna de Serviço Social Liliane Oliveira, que entrou na Federal da Bahia, em Salvador, graças às cotas. Para ela, depois de permitir o acesso ao ensino superior, é preciso garantir apoio financeiro aos cotistas. "Isso interfere na permanência deles na universidade. A bolsa-pesquisa, por exemplo, de R$ 300, mal paga o transporte." 

Jovem fotógrafa brasileira participará de

oficina promovida por UNICEF e WPO

Brasília, 27 de outubro – A brasileira Giuliane Bertaglia Correia, 16 anos, faz parte do grupo dos seis jovens vencedores do concurso de fotografia internacional promovido pelo UNICEF e pela World Photo Organisation (WPO). Como prêmio, eles viajarão para a Etiópia esta semana para participar de um workshop exclusivo coordenado pelo aclamado fotógrafo Reza.
A oficina EYE SEE, que terá como tema os direitos das crianças, é um projeto apoiado pela Sony Corporation e pelo UNICEF para oferecer às crianças de todo o mundo a oportunidade de expressar e compartilhar suas experiências por meio da fotografia digital.
Giuliane participará da oficina em Awassa (270 km ao sul da capital Adis-Abeba), de 31 de outubro a 4 de novembro de 2010, com crianças e adolescentes de Israel, Marrocos, Nova Zelândia, Romênia e Estados Unidos e Etiópia. Ela venceu o concurso com uma foto de uma criança observando a cidade pela janela. Segundo ela, a imagem representa o direito de cada criança à sobrevivência e ao desenvolvimento. "Na minha foto, eu abordei dois conceitos diferentes: sobreviver e viver. Uma criança que sobrevive não vive, necessariamente. Viver remete-nos ao amor, à felicidade, ao sucesso, enquanto sobreviver significa apenas existir."
Paulista de Araçatuba, Giuliane está cursando o ensino médio e pretende estudar Direito. "Eu li sobre o concurso e percebi que o conceito da iniciativa tinha uma semelhança com meus próprios objetivos. A fotografia é um dos melhores recursos para revelar faces, reações e sentimentos humanos."
Além da brasileira, venceram o concurso Rachita Castelino (16 anos), da Nova Zelândia; Ioana Velescu (de 18 anos), da Romênia; Chyi-Dean Shu (17 anos), dos Estados Unidos, Imane Tirich (19 anos), dos Marrocos; e Mariya Maximenko (16 anos), de Israel.
Também participarão da oficina integrantes de 10 centros de juventude dos estados etíopes de Adis-Abeba, Amhara, Oromia, Região das Nações, Nacionalidades e Povos do Sul e Região Tigré que têm recebido o apoio do UNICEF para a compra de equipamentos de produção e capacitações como parte de um programa desenvolvido para promover a participação de adolescentes.
No ano passado, para marcar o 20º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, celebrado em 20 de novembro, os seis vencedores estavam entre milhares de jovens de todo o mundo que enviaram fotografias com textos sobre os direitos à sobrevivência, à educação, à saúde, à proteção contra o abuso e exploração e a ser ouvidos. Embaixadores do UNICEF, como David Beckham e Ewan McGregor, também produziram fotos e fizeram apelos pedindo o apoio à causa da infância juntamente com respeitados fotógrafos como Reza, que será o coordenador da oficina na Etiópia.
Reza, que presidiu o júri, afirmou: "A fotografia tem um papel cada vez mais importante em relações humanas. A fotografia digital vai, sem dúvida, ser uma linguagem comum e universal para as próximas gerações. A ação do UNICEF para os jovens, dando a eles a possibilidade de usar essa nova ferramenta para superar a barreira da língua, é um novo passo rumo a um futuro melhor".
"É um grande privilégio para a WPO e seus membros trabalhar com o UNICEF e o EYE SEE, ajudando a dar a esses jovens as habilidades e equipamentos para que possam. por meio da fotografia. comunicar questões importantes para eles", disse Astrid Merget, diretora de Criação da WPO.
Ted Chaiban, representante do UNICEF na Etiópia, disse: "O UNICEF tem o prazer de ser anfitrião desse seminário para esses seis talentosos jovens fotógrafos, ao lado de 24 crianças da Etiópia. Esperamos que todos os participantes recebam informações valiosas sobre os desafios enfrentados por meninas e meninos na Etiópia e continuem a usar a fotografia para defender os direitos das crianças".
A Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) foi adotada pela Assembleia Geral da ONU em 20 de novembro de 1989 e estabeleceu um conjunto de direitos fundamentais para proteger todas as crianças e adolescentes contra a violência, discriminação e danos. Atualmente, a CDC é assinada por quase todos os países, o que a torna o acordo de direitos humanos mais amplamente ratificado no mundo.
Mais informações
Rachel Duffield/Jill Cotton
Colman Getty – World Photography Organisation
Telefone: +44 (0)20 7631 2666
E-mail: rachel@colmangetty.co.uk ou jill@colmangetty.co.uk
Ju-Lin Tan
UNICEF
Telefone: + 44 (0)20 7375 6069
E-mail: julint@unicef.org.uk

terça-feira, 26 de outubro de 2010

JOVENS E SUAS ESCOLHAS PROFISSIONAIS


Jane Patrícia Haddad, Psicopedagoga com formação psicanalítica, professora convidada do curso de psicopedagogia do UNI-BH, palestrante e consultora
Ser ou não ser? Eis a questão. Aprender para quê? Onde vou usar o que aprendo na escola e na universidade? Que profissão vou escolher? Será que estou na faculdade certa? Vou conseguir ganhar dinheiro com “isso” que vou escolher? Essas são questões que escuto diariamente em meu consultório, onde atendo jovens e adultos, ora com rótulos de “fracasso escolar”, ora com dúvidas sobre suas escolhas profissionais, ora com “depressões”...E tudo mais que possa ter um nome para justificar o mal-estar humano. Como se a dúvida não fizesse parte do processo humano.
Será que estamo criando crianças e jovens apenas no Princípio do Prazer?
O momento é de nós, adultos, nos perguntarmos: esses jovens apresentam problemas? Não seria ausência do desejo de saber? Saber sobre o que estão vendo todos os dias? Não seria isso que eles tentam negar que “sabem”? Nós, adultos, já sabemos o que queremos “ser”? Ou, melhor, sabemos de fato quem somos? Nossos jovens são chamados diariamente pela mídia a “olhar” seus rótulos: “Estar no mundo sem rumo, sem objetivos, sem projetos... vivendo apenas o aqui e agora”. “Jovem espancando alguém... Jovem roubando para...” Pergunto se todos jovens são iguais, com as mesmas marcas. Que mensagem estamos passando para eles? É possível falar em “ser”, aprender e fazer escolhas, quando não se sabe nem quem se é? Quais são as marcas singulares de cada um deles? A que olhar eles estão respondendo? Ou, melhor, a que olhar estão se calando? “O pensamento pode ver, mas dele fica excluído o olhar.” O olhar de quem não quer ver! O olhar de quem se nega a colocar as máscaras estabelecidas por inimigos impalpáveis. Há um vazio presente. Podemos dizer que é um vazio existencial num tempo que passa e nos faz acostumar. A juventude nada mais é do que o reflexo do nosso momento atual, o espelho do nosso olhar, ou melhor, da visão “ato fisiológico” em que nos encontramos. Adultos “kids”, com medo de crescer, medo de se responsabilizar pelas próprias escolhas, políticos narcisos que se escondem atrás do pseudo poder, à violência diária (vírus da normalidade) sem punição, sem lei, caos aéreo com dezenas de vítimas e sonhos rompidos, crianças mortas ou desaparecidas, momentos de incertezas, desemprego. Enfim, momento de desprazer. Há transição de paradigmas nos quais nos deparamos com ausência de modelos adultos.
Estamos numa sociedade de excesso, nada pode faltar, sendo que nós, seres humanos, somos seres da falta. Essa falta é que nos move, nos coloca a buscar. É ela que nos mantém vivos. A frustração, o “não”, o erro deve ser encarado como processo de crescimento. O Momento é novo e pede um novo olhar sobre o como fazer.
O que se busca quando se quer aprender algo? Acredito que, a partir dessa pergunta, é possível refletirmos sobre o que se quer? O principal é saber desejar e orientar os jovens a sair do “quietismo” que os paralisa. Com a nossa permissão, desejarão se mobilizar para o saber de si, para depois saber do mundo e poder fazer escolhas. Saber é sustentar o próprio desejo, o que implica em se responsabilizar pelo mesmo. O grande desafio atual é tentar ler nas entrelinhas o discurso não dito e tentar olhar além da visão. É se perguntar o que está acontecendo no mundo. Vivemos num tempo sem tempo, em que o saber é confundido com o “adquirir” excesso de informação e de coisas.

sábado, 23 de outubro de 2010

Jovens celebram 25 anos do Dia Nacional da Juventude

Publicado por: ana.santos, em 20/10/2010
“O DNJ para nós é jubilar é um tempo favorável pra profecia e missão de transformar a realidade juvenil”. Edney Santos Mendonça

BRASÍLIA - No próximo domingo (24), as Pastorais da Juventude do Brasil realizam a 25ª edição do Dia Nacional da Juventude. Neste ano em que se comemora o jubileu da atividade, os jovens escolheram como tema a Marcha contra a Violência, campanha que pontua todas as realizações da Pastoral em 2010. A ação acontece em todas as cidades do país onde existe Pastoral da Juventude no último domingo do mês de outubro, este ano as atividades foram antecipadas em virtude do segundo turno das eleições.
Junto com outras duas atividades – a Semana do Estudante e a Semana da Cidadania – o Dia Nacional da Juventude (DNJ) faz parte do calendário de atividades permanentes da Pastoral da Juventude. Todas as ações têm um eixo temático que busca incentivar os grupos juvenis a refletir sobre temas de relevância sóciocultural, com participação de outros movimentos e organizações juvenis, ressaltando o caráter amplo da proposta.
O mote “Muita festa, muita luta e muita reza” define bem o perfil da iniciativa que reúne milhares de jovens em caminhadas, marchas, manifestos públicos, seminários, debates e apresentações artístico-culturais onde pautam assuntos importantes para a defesa do país e dos direitos sociais. “Como o tema deste ano está ligado a Campanha Nacional Contra Violência e Extermínio de Jovens, estão sendo feitas marchas e caminhadas em todos os municípios em que existe alguma das PJs”, informa Edney Santos Mendonça, representante da Pastoral da Juventude Nacional no Conselho Nacional de Juventude (Conjuve).
Edney Mendonça - PJ
Ao longo dos 25 anos de existência o DNJ abordou assuntos como cidadania, direitos humanos, educação, saúde, solidariedade, entre outros. Em 2010 a ação tem como centro a defesa vida. “É a Campanha contra o Extermínio que orienta todas as Atividades Permanentes 2010”, indica a página do DNJ na Internet. Para Mendonça, o evento é mais um ponto fortalecedor da campanha. “Podemos fazer oficinas que ajudam na reflexão, atos públicos contra a insegurança em que vivem as cidades, contra o toque de recolher, contra a redução da maioridade penal”, explica.
Indo além…
A Pastoral da Juventude do Brasil é um grupo organizado da igreja católica, com linha definida e metodologia própria, aberta ao novo e acolhimento dos anseios da juventude. É composta pela: PJ – Pastoral da Juventude Nacional; PJE – Pastoral da Juventude Estudantil; PJMP – Pastoral da Juventude do Meio Popular; e PJR – Pastoral da Juventude Rural.
A PJ está no Conjuve desde sua fundação e discute o tema Políticas Públicas de Juventude desde 2000. De acordo com Edney Santos Mendonça, conselheiro da Pastoral da Juventude no Conjuve, há uma relação de troca de experiências e intercâmbio entre as duas organizações. Para ele no Conjuve “ é possível colocar a reflexão em pauta e ajudar na conquistas de direitos para juventude tendo o protagonismo juvenil como primícia”.
Ele ressalta a colaboração da PJ na construção do Encontro de Conselhos através da mobilização e divulgação da atividade, assim como na criação de novos conselhos de juventude, e na Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude. Por sua vez o Conjuve contribui como espaço plural de reflexão, amadurecimento e atuação política num campo onde o protagonismo juvenil é prioridade para a pastoral.
Saiba mais acessando:
www.pj.org.br
www.dnj25anos.redejuventude.org.br
Assista ao vídeo de apresentação da campanha:
Ana Cristina Santos
Ascom/Conjuve

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mensagem de Obrigado aos Professores

Obrigado por fazerem do aprendizado não um trabalho, mas um contentamento. Por fazerem com que nos sentíssemos pessoas de valor; por nos ajudarem a descobrir o que fazer de melhor e, assim, fazê-lo cada vez melhor. Obrigado por afastarem o medo das coisas que pudéssemos não compreender; levando-nos, por fim, a compreendê-las...Por resolverem o que achávamos complicados... Por serem pessoas dignas de nossa total confiança e a quem podemos recorrer quando a vida se mostrar difícil...Obrigado por nos convencerem de que éramos melhores do que suspeitávamos.

Aos professores de Itabira e à vocês educadores dedicados do nosso Brasil Feliz dia dos Professores!

OS JOVENS DE HOJE

TERÇA-FEIRA, 5 DE OUTUBRO DE 2010

A violência na juventude muito me intriga e questiono sobre:


Jovens tão desajustados, por quê?!

Continuando minha pesquisa sobre o comportamento dos jovens de hoje, encontrei uma reportagem que me fez relembrar dois episódios bárbaros, que chocaram o país, ambos cometidos por grupos de jovens de classe média, um no Rio de Janeiro e outro em Brasília.


O primeiro se deu em dezembro de 2007, há quase três anos atrás:

um grupo de jovens bem-nascidos, de classe média,estudando em boas escolas, voltando da “balada”, resolveu se divertir espancando uma moça que estavano ponto de ônibus em uma via principal do Rio de Janeiro...

O segundo ocorreu em abril do mesmo ano, tão bárbaro e triste quanto ao anterior mencionado:

jovens da classe média de Brasília atearam fogo à um índio que estava dormindo na praça.

Meu Deus!!! O que leva nossos jovens a acharem “legal” essa atitude, a ponto de se divertirem assistindo ao sofrimento alheio... mulher espancada na calçada e homem a queimar no meio da rua?!

O que será que passa na cabeça desses jovens quando decidem cometer tal crime?! O que visualizam?! O que buscam?! A que modelo segue esses jovens?!

E suas famílias, o que dizem e como reagem... ao saberem que tamanha crueldade foi produzida por seus filhos?!

Onde está o respeito ao próximo, a compaixão, a solidariedade... qualidades estas tão ovacionadas mundo a fora, quanto a disponibilidade física e financeira de nosso povo (inclusive, daqueles de baixo poder aquisitivo) nas horas de desespero perante a catástrofes mundiais?!

Como poderemos reverter ou, pelo menos, frear esses impulsos de "prazer macabro" de nossos jovens... nossos filhos?!


Como prevenir tais comportamentos?!

Lendo artigos referentes ao tema em questão, concordo com o que escreveu Silvana Martani, psicóloga - Beneficência Portuguesa de São Paulo:

a falta de limites, pouca orientação e atenção dos pais, famílias desajustadas, 
maus exemplos, ignorância dos problemas emocionais dos filhos, uso de drogas 
aliada a idéia de que todos os problemas dos jovens são provocados pela adolescência, 
somam as condições ideais para que problemas graves se manifestem em ações violentas.

Como já abordado aqui, em postagens anteriores, Silvana também ressalta:

Muitos pais têm dificuldade de dar limites a seus filhos, de dizer não, de fazê-lo ouvir, 
de agüentar suas reações, de suportar suas impertinências, de se impor, de assumir 
que precisam de ajuda e acabam delegando essa função para a escola ou mesmo 
deixam o jovem caminhar sozinho.


Pautada em seu conhecimento técnico, a psicóloga pontua:
"A personalidade é resultado de um processo gradual que vai da infância até
a vida adulta, sendo que seu exercício pode-se modificar de acordo
 com o AUTOCONHECIMENTO.”

Os transtornos de personalidade se subdividem em várias classificações
tais são as suas variações, mas é sabido que esse tipo de patologia afeta
o modo como o indivíduo vê o mundo, o comportamento social e a maneira como
expressa as suas emoções, ou seja, caracteriza um estilo mal adaptado,
prejudicial, inflexível, capaz de comprometer toda uma existência.”

Chama nossa atenção ainda para...

Um jovem desajustado, com uma personalidade comprometida, não acorda
de manhã dessa maneira, ele mostra que não está bem aos seus pais durante
toda a vida, com uma série de atitudes que o denunciam.”

E porque alguns de nós, pais, não enxergamos isso?!

É muito difícil para os pais admitirem que seu filho tenha problemas,
pois estes problemas de alguma maneira refletem os conflitos emocionais
e estruturais dos pais, mas os adultos não são capazes de reconhecer
seus problemas nos dos filhos...”


Os pais devem estar sempre atentos aos seus filhos e se certificarem de que eles estejam sempre bem!

Na dúvida... 
Procure ajuda! Existem profissionais habilitados a cooperarem e a contribuírem nessa tarefa tão difícil que é EDUCAR.

Para saber mais detalhadamente sobre o tema acima, leia a reportagem “Filhos desajustados são reflexos de pais perturbados”, clicando no link a seguir:

http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/2819/filhos-desajustados-sao-reflexos-de-pais-perturbados

Como foi sua juventude...deu trabalho aos seus pais?! E agora, como será com seu filho?!

Fonte:http://ciranda-cirandar.blogspot.com/  

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O desafio de pautar na comunicação as razões de viver da juventude brasileira

 De um modo geral, há três formas como os jovens são abordados nos veículos de comunicação no Brasil: 
a) O jovem como problema, freqüentemente representado nos editoriais e colunas policiais. São inúmeras as notícias diárias que vemos nos telejornais e jornais brasileiros que colocam os jovens como “deliqüentes”, como promotores da “desordem social”, de “distúrbios” e “violentos”, etc; 
b) o jovem classe média, retratado nas telenovelas e, sobretudo, na novela teen “Malhação”; este idealizado e pasteurizado pelo discurso da ficção;
c) O jovem retratado na publicidade como símbolo de beleza, de onde vários ramos do capitalismo – indústria da moda, academias, eletroeletrônicos - sugam os valores para gerar, na sociedade como um todo, necessidades supérfluas e uma busca desenfreada por este ideário de juventude eterna.

Se olharmos para os indicadores sociais do Brasil, principalmente os que colocam os jovens como as maiores vítimas do desemprego e da perversa distribuição de renda, há, do ponto de vista econômico, uma contradição profunda que tem gerado uma patologia social. Ao mesmo tempo que esta sociedade, por seus meios de comunicação, estimula ininterruptamente a busca do consumo que se constrói em cima do ideal de eterna juventude, ela nega aos jovens e às pessoas a possibilidade de realizar este desejo. Os jovens empobrecidos não podem consumir os produtos veiculados na publicidade e, em razão disso, são excluídos de determinados grupos sociais que se identificam a partir de determinados estilos de consumo e forma de se vestir.

Mas a questão do consumo é apenas uma das facetas da forma como está organizada a sociedade brasileira que precisa ser revista. O que se coloca, com a discussão que o Dia Nacional da Juventude 2008 quer promover: Juventude e Comunicação, é como a “idéia” de juventude brasileira é construída na esfera da comunicação, o que, segundo o filósofo francês Pierre Bourdier, é denominado de um campo simbólico. Podemos afirmar que, em razão disto, a visão que a sociedade vai construindo sobre a juventude é, em grande medida, modulada pela forma como a juventude é representada na TV, nos jornais, no rádio e na Internet.

Por quê a Pastoral da Juventude do Brasil elege o lema: “queremos pautar as razões do nosso viver”? Me atrevo a refletir que é exatamente porque a PJB tem a percepção de que a juventude retratada nos meios de comunicação social, sobretudo num país tão diverso como o nosso, no qual alguns pesquisadores até já cunharam o termo “juventudes”, não corresponde à juventude concreta e real, do mundo da vida. Sobretudo dos jovens empobrecidos e excluídos.Por que as diferentes iniciativas que a juventude brasileira desenvolve pelo Brasil que são portadoras de novos valores e boas notícias não encontram eco nos meios de comunicação brasileiro. Por quê as razões deste viver são distorcidas e significadas contraditoriamente nas páginas dos jornais, nas telenovelas e Internet? Há um debate, que se insere no campo ideológico, que nos diz sobre os interesses de quem detém o poder da comunicação no Brasil. Em nosso país, atualmente, apenas 12 grupos familiares dominam mais de 90% de tudo que a população consome em termos de comunicação.

A quem interessa, por exemplo, retratar o jovem como violento? Qual a relação disto com a redução da idade penal? Estas são questões para as quais a Pastoral da Juventude do Brasil e todos os grupos que se preocupam com os jovens precisam olhar com carinho.

Esta reflexão está intimamente ligada aos debates de que há pelo menos um século se ocupa a teoria da comunicação, o debate em torno do “poder” que têm os veículos de comunicação. Por muito tempo foi hegemônica a idéia da mídia poderosa e onipontente, como definidora da realidade, da agenda e de comportamentos, o que ficou conhecido como Sociologia dos Emissores. Este paradigma marcou os primeiros estudos em comunicação e seus efeitos sobre os indivíduos.

A idéia de que os meios de comunicação social não são os únicos agentes modeladores e transformadores do conhecimento social e referência simbólica da sociedade começou a ser relativizada na década de 70. Isso abriu espaço, por exemplo, para os Estudos Culturais e os Estudos de Recepção, mudando o eixo de reflexões do “emissor” para o “receptor”.Há no campo da teoria comunicação a “Teoria Construcionismo” que introduz um novo paradigma na pesquisa sobre o jornalismo com a noção de que a notícia é resultado de um processo de construção social, resultante de um processo de interações pessoais, sociais, culturais e ideológicos.

Nesta perspectiva, insere-se a teoria dos “definidores primários e secundários” que advoga que a mídia e os jornalistas não são freqüentemente os definidores primários, mas a sua relação estrutural com o poder tem o efeito de os fazer representar não um papel crucial, mas secundário, ao reproduzir as definições daqueles que têm acesso privilegiado às informações. O poder dos jornalistas é relativizado com a idéia de que não criam autonomamente as notícias, mas dependem de assuntos específicos fornecidos por fontes institucionais e credíveis.

A Teoria do Agendamento, mesmo após o balanço de 25 anos de seu surgimento, aponta que a agenda jornalística ficou “imune” às mudanças da agenda pública. Investigações novas sobre agendamento sugerem que os meios não só dizem sobre o que é que se deve pensar, como também dizem como pensar sobre isso.

Os estudos recentes afirmam que, tanto a seleção das ocorrências e/ou das questões que constituirão a agenda, como a seleção de enquadramentos para interpretar essas ocorrências e/ou questões, são poderes importantes que a Teoria do Agendamento agora identifica depois de mais de 20 anos de existência. A inversão do paradigma está na redescoberta do poder do jornalismo e no retorno da idéia da mídia poderosa e onipontente.

Para pautar as razões de seu viver é necessário que a juventude se organize e estabeleça uma relação diferenciada com os produtores de comunicação do país (jornalistas, roteiristas, editores) na linha de não apenas dar visibilidade e divulgar suas inúmeras experiências, mas também de ajudar a mudar a visão de mundo que estes têm sobre a aqueles. Em muitos casos, os jornalistas retratam a juventude erroneamente por pura falta de conhecimento e formação.

É o caso, por exemplo, de usar o termo “menor” em vez de “adolescentes”. Foi necessário, que por muito tempo, a Agência Nacional de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) desenvolvesse um processo de formação dos jornalistas para que compreendessem que o termo “menor” era um termo ligado a uma doutrina conservadora e ultrapassada, expressa no Código do Menor, do tempo da Ditadura, superado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estudos recentes apontam as fontes como promotoras de acontecimentos e afirmam que elas desenvolveram um aprendizado que as tiraram da condição passiva para uma relação pró-ativa na produção de informações e na relação com os jornalistas. Como defende a autora Noelle Neumann, as fontes têm papel decisivo na canalização das notícias e podem operar, na verdade, uma pré-canalização não só temática mas de enfoque dos temas. Pode-se afirmar que as fontes, quando se organizam e têm um certo grau de institucionalidade sobre os assuntos, conseguem dar visibilidade a temas deconhecidos no reduzido espectro de temas abordados no jornalismo impresso.

Determinados temas, apesar de serem considerados de interesse público, só alcançarão às páginas dos jornais em razão da ação estratégica de grupos sociais. Quando organizadas e competentes, as fontes é que dão as regras do jogo, oferecendo aos jornalistas dados e informações que, julgam, são mais adequados para construir as matérias. É isso que a juventude também tem que aprender em relação à mídia: sair de uma postura passiva para uma postura pró-ativa. Isso exige:


Pensar ação estratégica nacional e descentralizada por meio de planos de ação locais encabeçados por ONGs e apoio de parcerias;

Atuar junto e organizar a experiência e legitimidade de órgãos que já institucionalizaram o tema da juventude no Brasil;

Ação ramificada e capilarizada em uma rede temática de juventude;

Atuação junto aos produtores de comunicação e jornalistas, sobretudo àqueles que cobrem a pauta do juventude nos veículos;

Construção de agendas de ação locais e nacional para manter o tema permanentemente na agenda jornalística;

Produção de conhecimento: pesquisas quali-quantitativas, pautas, guias de fontes, clipping, etc;

Seminários de capacitação e oficinas de Análise da Cobertura com diferentes atores: jornalistas, lideranças sociais, jovens, órgãos governamentais e não governamentais.

Ao mesmo tempo, é necessário integrar e fortalecer as lutas dos coletivos que trabalham para “uma que outra comunicação” aconteça no Brasil. São eles:

Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social - www.intervozes.org.br - Trabalha a comunicação com um direito; organiza o “Observatório do direito à comunicação”, que pode ser acessado em: www.direitoacomunicação.org.br.

Fórum Nacional pela Democatrização das Comunicações – www.fndc.org.br Fórum congrega entidades da sociedade civil para enfrentar os problemas da área das comunicações no País.

Fóruns de Mídia Livre - Centenas de comunicadores alternativos, ativistas midiáticos, professores e estudantes de vários estados brasileiros reuniram-se no Rio de Janeiro, no fim de semana dos dias 14 e 15 de junho, para a realização do 1º Fórum Mídia Livre.

Mídia Independente - O CMI Brasil é uma rede de produtores independentes de mídia que busca oferecer ao público informação alternativa e crítica de qualidade que contribua para a construção de uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente. www.midiaindependente.org.br.

Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária - www.abraconacional.hpg.ig.com.br - A ABRAÇO trabalha na democratização e na luta pelas rádios comunitárias do Brasil.


Outras iniciativas: Brasil de Fato, Caros Amigos, Le Monde Diplomatique Brasileiro, Viração, entre outras e inúmeras iniciativas populares...

Um campo fértil de trabalho onde a Pastoral da Juventude e seus grupos podem atuar é no campo da educação para leitura e recepção crítica dos meios de comunicação social, propondo estudos e aprofundamentos sobre quem domina a comunicação no Brasil; como funciona a produção de conteúdos; que mensagens, valores e ideologia veiculam em seus produtos; como abordam os grupos sociais marginalizados em novelas e publicidade: negros, mulheres, gays, pobres, periferias...; como é a construção das notícias; como fazer a recepção crítica destes conteúdos.A juventude, como Dom Hélder, um dos grandes inspiradores do DNJ deste ano, tem mil razões para viver. Mas não pode deixar, de maneira alguma, que toda essa potencialidade seja reduzida, banalizada e distorcida ideologicamente pelos poucos grupos que detém o poder da comunicação no Brasil.

Willian Bonfim
Foi militante da Pastoral da Juventude, no Centro-Oeste, de 1989 a 2000, assessor da Área de Metodologia e setor de pesquisa da Casa da Juventude Pe. Burnier. É formado em jornalismo (UFG) e mestre em comunicação social (UNB). Atualmente é assessor do Setor de Mobilização Social da Presidência da República